A Rua 25 de Março, na capital paulista, considerada o maior shopping a céu aberto da América Latina, é sempre associada ao consumo popular. Mas um levantamento recente da TNS Research International mostra que a classificação mudou – a frequência do público AB no local é o que mais cresceu entre 2006 e 2009, de 43% para 56%.
A gerente regional de Marketing da empresa responsável pela pesquisa, Luciana Piedemonte de Lima, informa que as 350 lojas e 3 mil estandes em prédios, galerias e shoppings das 18 ruas da região atingiram faturamento anual de R$ 17,6 bilhões. Cerca de 400 mil pessoas compram por ali todos os dias – número que sobe para 1 milhão na época de Natal. Já os 392 shoppings do Brasil apresentaram faturamento de R$ 69,7 bilhões em 2009, segundo ela.
De olho nessa capacidade de atender consumidores de diversas faixas de gastos, as empresas passaram a enxergar aquele comércio como um imenso laboratório de consumo. Exemplos são a Tramontina e a Lupo, que já usam o local com esse objetivo. "Até as marcas mais sofisticadas são encontradas na região," diz Luciana. O tíquete médio na 25 de Março é R$ 193,45, mostra o estudo, uma cifra maior que o do comprador de shopping, que é R$ 140. "A 25 de Março foi um dos endereços que mais se beneficiaram com a ascensão social e a alta do poder de compra das classes C e D", diz a gerente da TNS.
Com tanta disputa, o aluguel mensal do metro quadrado de uma loja no local fica entre R$ 25 e R$ 30 mil. O preço de locação de um box ou de um estande vai de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil. Os preços são mais caros do que os da Rua Oscar Freire, uma das mais chiques de São Paulo, segundo a pesquisa.
Batendo perna - Os consumidores ficam pelo menos meio-dia explorando o comércio da 25 de Março. Nos corredores dos shoppings, o tempo médio de permanência é menor, de 73 minutos. "As pessoas vão mais vezes ao shopping", diz Luciana.
Os produtos mais comprados na região são bijuterias, brinquedos, itens de papelaria, de armarinhos e roupas infantis. Entre as vantagens da região, apontadas pelos consumidores, estão os preços baixos, a variedade de produtos e a grande quantidade de lojas. Entre as desvantagens, são citados a aglomeração, a falta de segurança, e os conflitos entre policiais e camelôs.
A pesquisa da TNS ouviu 708 pessoas entre 8 e 15 de setembro do ano passado. O levantamento destaca também que o varejo brasileiro é responsável por um volume anual de vendas de R$ 100 bilhões, ou 10% do PIB.