Cores vibrantes, tecidos leves e vestidos que saem dos pés para ganhar os joelhos são algumas das mudanças que marcam a passagem das vitrinas da coleção primavera-verão para o alto verão. No Bom Retiro e Brás, dois dos bairros paulistanos que concentram os principais fabricantes de moda do País, desde novembro, a nova coleção – que só agora começa a chegar no varejo de shoppings e de rua – está exposta. "Como nossos principais clientes são os lojistas, estamos vendendo a todo vapor há mais de um mês.
Nas próximas semanas, alguns atacadistas passam a atender também o varejo, o que deverá incrementar as vendas em até 15%", diz Kelly Cristina Lopes, secretária-executiva da Câmara de Dirigentes Lojistas do Bom Retiro (CDL Bom Retiro).
Paetês – "O Alto Verão é uma complementação da coleção primavera-verão, com as marcas focando nas peças que dão conotação de festa, com brilho e o branco, por exemplo. Outras confecções preferem intensificar a produção de peças com cara de férias, como short, vestidos leves e roupas básicas", explica Heloise Maria Fontozzi, sócia-proprietária do Galpão 8, atacadista multimarcas que atende lojistas de todo o país. "O Alto Verão confirma o que deu certo na coleção anterior e intensifica a exposição dessas peças", complementa Juliana Gama, gerente de marketing do Mega Polo Moda. Como exemplo ela cita o uso de paetês – inclusive em peças diurnas – de todos os tamanhos. "O paetê é uma forte tendência da estação, que estava nas peças da primavera-verão e caiu no gosto das consumidoras. Ele migrou definitivamente da noite para o dia", afirma Juliana.
Outra tendência da estação será o uso de peças com apelo Balneário, privilegiando peças em malha, algodão cru, jeans e sarjas. O macacão feminino, especialmente o longo em tecidos leves, tanto lisos quanto estampados, também estão nas vitrinas, assim como as calças saruel, que agora virão na versão com gancho ainda mais baixo. "Sempre compondo o visual com uma malha leve na parte de cima", diz Juliana.
As pernas de fora também estarão em alta, em vestidos curtos em estilo balonê, de um ombro só e tomara que caia.
Estilos e cores – A recém-inaugurada loja da Collins no Shopping Vila Olímpia já abriu as portas com as peças de Alto Verão, como os vestidos, que surgem em todas as formas: acinturado, com golas bobas, cavados com laço no pescoço, curtos e com babados, confirmando a tendência, a marca também aposta nas calças saruel, nos shorts, coletes e no jeans boyfriend, aquele mais larguinho e que termina com a barra enrolada – nunca feita na máquina. Na cartela de cores, a marca aposta nos azuis, verdes azulados, marrons, violetas, rosas, amarelos, laranjas, vermelhos e o nude.
Mudanças sutis
Os lojistas não falam em expectativa de venda com a nova coleção, mas apostam que elas se manterão no ritmo atual, que é de crescimento, de acordo com as consultas feitas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito da Associação Comercial de São Paulo (SCPC/ACSP).
Em novembro, as consultas para vendas à vista, medidas pelo SCPC Cheque, apontaram expansão de 14% na média diária em comparação com outubro. "Esses números confirmam que as vendas que não dependem de crédito, como as de confecções, se mantiveram em alta, tendência que deverá se manter até o final do ano", diz Emilio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo.
Vitrinas – Mas, para que isso se concretize, o lojista precisa conquistar o consumidor. E, já que as mudanças da coleção são tão sutis: uma saia mais curta, tecidos mais leves e decotes mais generosos, o jeito é sair do lugar comum na montagem das vitrinas. A afirmação é de Kátia Bello, diretora da Opus Design, empresa especializada em comunicação estratégia de varejo.
Segundo ela, em vez de usar areia e motivos de praia nas vitrinas – o que normalmente se faz para lembrar do verão – o lojista deve criar ambientes que passem a sensação que o cliente gostaria de estar sentindo no momento em que vê a vitrina.
"Tudo o que a pessoa quer em um dia muito quente é se refrescar, estar em um ambiente frio. Portanto, o lojista pode criar na vitrina um efeito de copo suado, por exemplo, que seguramente o consumidor vai se identificar", exemplifica.
Novidades – Outra sugestão de Kátia é mudar constantemente os modelos expostos – no mínimo uma vez por semana – para que quem passar pela vitrina tenha sempre a impressão de que ali há novidades. "Se for uma área de muito fluxo, como um shopping center, o ideal é que as mudanças sejam feitas em espaço de tempo ainda menor. Quanto menos, melhor", afirma a empresária.