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O varejo brasileiro perdeu US$ 2,2 bilhões (R$ 3,8 bilhões ao câmbio de R$ 1,73) entre julho de 2008 e julho de 2009 com furtos de clientes e funcionários, problemas logísticos, fornecedores e erros internos, segundo levantamento anual global do Centro de Pesquisas do Varejo, na Grã-Bretanha, divulgado na semana passada.
O volume representa, de acordo com o Centro, 1,62% das vendas totais do varejo nacional neste ano. As perdas do comércio brasileiro, indica o trabalho, cresceram 6,6% neste ano, conforme os dados coletados na pesquisa em 2008.
O levantamento mostra que o Brasil também está em 15º lugar no ranking dos países em que os comerciantes locais (37,5% dos entrevistados) perceberam aumento dos prejuízos ante o ano passado. Na média mundial, 30% dos varejistas creditam o problema à crise. Para o varejo brasileiro, 41,2% dos prejuízos foram causados por funcionários, somando US$ 941 milhões (R$ 1,6 bilhão) do total. Furtos praticados por clientes representaram 33,8% das perdas para os comerciantes. Outros 8,2% são atribuídos a fornecedores e 16,8% a erros internos.
No ranking dos 41 países pesquisados pelo instituto, o País aparece em sétimo lugar na relação dos que têm mais problemas com perdas. O Brasil aparece atrás da Índia, Marrocos, México, África do Sul, Turquia e Tailândia. Entre todos os pesquisados, as perdas totais somam US$ 114,8 bilhões (R$ 198,6 bilhões), o equivalente a 1,43% de todas as vendas em 2009.
Os gastos com segurança e prevenção contra furtos e perdas internas, no Brasil, somaram US$ 293 milhões (R$ 508 milhões) entre julho do ano passado e julho deste ano. Nos 41 países pesquisados, a soma chegou US$ 24,5 bilhões (R$ 42,3 bilhões), queda de US$ 930 milhões (R$ 1,6 bilhão) ante 2008.
Em todo o mundo, as mercadorias mais visadas são alimentos, roupas e acessórios, cosméticos, produtos eletrônicos, CDs e DVDs. A pesquisa foi realizada com 1.069 empresas. No período analisado, 5,8 milhões de pessoas foram flagradas no ato do furto, 500 mil a mais do que no ano anterior. Neste ano, 85,6% eram clientes e 14,4%, empregados.
Nacional – No Brasil, pesquisa realizada pelo Programa de Administração do Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar-Fia), divulgada no final do mês passado, mostra que o furto representa hoje 38,1% das perdas do varejo nacional.
Um do setores mais atingido é o de eletroeletrônicos. O índice chega a 57,5%. No atacado, os furtos representam 46% das perdas, enquanto no setor de vestuário o índice chega a 46%. Já nas drogarias o percentual de perdas é de 42%; nos supermercados, 35% e no setor de material de construção 34%.
A pesquisa estima em R$ 11,6 bilhões as perdas com fraudes e furtos no varejo brasileiro. O trabalho mostrou que, em média, as empresas investem 0,6% do faturamento líquido para prevenir essas ocorrências. Das empresas consultadas, entretanto, 31,2% informaram não possuir um departamento estruturado para a precaução.
De acordo com a coordenadora do Grupo de Prevenção de Perdas (GPP) do Provar-Fia, Patrícia Vance, o maior problema brasileiro, hoje, é a associação do crime organizado com colaboradores dos setor varejista no desvio e furto de mercadorias que acabam no mercado informal. "No Brasil, ainda temos uma cultura que evita o controle total do negócio. O receio é que apareça o faturamento real da empresa. Esse costume tem que mudar", diz a coordenadora. Para ela, muitos varejistas não têm noção do que perdem em seus negócios sem a prevenção dos furtos e fraudes.
Investimentos – De acordo com especialistas em segurança, o furto interno pode ser combatido com controle de estoque e a realização periódica de inventário. Para ocorrências com clientes, o mercado oferece uma série de soluções, que vão de câmeras de vigilância a etiquetas eletrônicas que disparam alarmes nos controles de saída das lojas. É importante, no entanto, avisos bem visíveis de que a loja é monitorada para inibir o crime.
Fonte: DCOMÉRCIO
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