No período de chuvas, que este ano deve ter maior incidência até final de março, a ocorrência de descargas atmosféricas é uma das maiores preocupações para aqueles que têm produtos eletrônicos, principalmente em um país recordista de incidência de raios – cerca de 50 milhões por ano, segundo pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). As tempestades podem causar vários danos aos equipamentos, com seus efeitos diretos, de falta de energia, e indiretos, como variações de cargas pela rede elétrica ou de telefonia.
Citando principalmente um incidente indireto, o raio pode não ter caído precisamente na rede local, mas nas proximidades de uma instalação elétrica, rede de distribuição ou de uma linha de transmissão telefônica. A descarga se propaga, causando surtos de tensão, que têm uma quantidade de energia variada. Se não forem suficientes para queimar o dispositivo, forçam componentes eletrônicos delicados, ocasionando desgaste.
"A descarga pode gerar surtos da ordem de microssegundos, mas com energia suficiente para danificar os equipamentos", diz Jancarle Laurentino dos Santos, coordenador de engenharia da Microsol, empresa especializada em estabilizadores, no-breaks e dispositivos reguladores de tensão.
Mas as quedas e variações também podem ser causadas localmente, pela alta exigência na partida de dispositivos elétricos, como motores, elevadores e compressores. Se um equipamento de alta potência é desligado e a rede foi mal dimensionada, a tensão adicional é dissipada por meio da linha de energia, causando oscilações.
"Muitas vezes, a rede foi dimensionada para ligar um número de equipamentos, mas excede essa quantidade. Os condutores aquecem a ponto de gerar curto. Lógico que existem instalações já protegidas com disjuntores, mas, mesmo assim, existe um risco de a instalação se sobrecarregar e provocar curto circuito. Essa é uma das causas de incêndios: instalações preparadas para ligar certos tipos de equipamentos e que ligaram outros ou em quantidade maior", afirma Jancarle.
Para proteger os eletrônicos, o primeiro passo é saber se há um dimensionamento correto da rede, de acordo com o número de equipamentos que serão ligados à tomada, e um aterramento adequado. Neste caso, há a necessidade de consultar um engenheiro elétrico, que deverá fazer a análise corretamente.
Uma forma de proteção local contra os surtos de energia durante as chuvas são os filtros de linha, estabilizadores e no-breaks. Porém, é muito comum a compra equivocada desses equipamentos, principalmente porque muitos não entendem o seu funcionamento. Além disso, os usuários procuram locais não especializados para comprar, além de optar por ofertas ou vendedores não qualificados para explicar ao cliente o que ele deve levar.
"Normalmente, a maioria das pessoas que compra o estabilizador não sabe nem o que é ou qual a potência que precisa. Leva o que está com desconto ou sugerido pelo vendedor, que muitas vezes também não tem o conhecimento sobre o assunto", explica o engenheiro.
Parece óbvio, mas a diferença básica entre os três dispositivos mais comuns de proteção está nas suas funções . "Um filtro de linha, por exemplo, é a proteção mais básica: elimina interferências na rede elétrica e picos de energia. O estabilizador, além das funções do filtro de linha, equilibra a tensão elétrica que alimenta o micro, caso haja oscilações para cima ou para baixo. Já os no-breaks têm todas essas características, associando a função de autonomia para os computadores na ausência de energia, graças à bateria interna", explica Marco Antonio Damasceno, gerente de Engenharia da SMS Tecnologia Eletrônica, fabricante de estabilizadores, filtros de linha e no-breaks.
No entanto, para aplicações no qual o usuário precisa de mais poder de processamento, necessita-se de maior potência. Um monitor de 17 polegadas, um ou dois discos rígidos, fonte que necessita de mais energia – adaptada para máquinas com mais recursos, como um PC que tem alimentação exclusiva para placa de vídeo – precisa de estabilizador de, pelo menos, 500 VA (o ideal é acima de 700 VA).
Já os servidores normalmente são alimentados por no-breaks, porque muitos serviços são executados e seus dados são de extrema importância para as empresas. Uma queda repentina de força pode causar sérios danos aos arquivos.
Assim como há diferenças entre os dispositivos, os preços acompanham suas funções de forma crescente. Um filtro de linha custa, em média, R$ 20; um estabilizador monovolt de 300 VA, cerca de R$ 40. Já o no-break de 600 VA pode ser encontrado por R$ 200.