A advogada Ana Eugênia Teixeira Nascimento Santos, de 42 anos, foi presa na tarde de anteontem, após tentar furtar roupas, um par de sapatos e uma bolsa da loja Zara, localizada no shopping Ibirapuera, na zona sul. Segundo especialistas do setor de segurança patrimonial, esse tipo de furto representa prejuízos de 2% a 3% sobre o faturamento anual do comércio varejista em todo o País. Os produtos mais visados são roupas, sapatos, aparelhos eletrônicos portáteis e lâminas de barbear.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a advogada foi flagrada por funcionários da Zara ao sair da loja, no momento exato em que o alarme antifurto foi acionado automaticamente.
Funcionários do estabelecimento questionaram a advogada sobre o conteúdo da sacola e da bolsa que carregava. Os vendedores conferiram os produtos e pediram que Ana Eugênia passasse novamente sua sacola e sua bolsa pelo detector de objetos. Primeiro, a advogada passou a sacola, que não acionou o alarme. Logo depois, foi a vez da bolsa. E o alarme foi acionado.
De acordo com a Secretaria de Segurança, a advogada argumentou que tudo não passava de um mal entendido e abriu a bolsa para mostrar que o casaco no valor de R$ 395 estava sem o dispositivo de segurança. Nesse momento, dois alicates caíram no chão, chamando a atenção dos funcionários.
Desconfiados, eles detiveram Ana Eugênia até a chegada da polícia. A advogada decidiu confessar o crime e disse que usou dois alicates para tirar os dispositivos antifurto das peças no provador da loja, escondendo-as em um tênis. A polícia informou que o casaco que acusou o furto possuía dois dispositivos de segurança e que apenas um deles havia sido retirado pela advogada, o que explicou o acionamento do alarme.
Com Ana Eugênia foram encontrados três casacos, um par de sapatos e uma bolsa, tudo avaliado em R$ 1,7 mil. O caso foi registrado
Prejuízos – Para Luiz Fernando Dias Sambugaro, diretor de marketing da Gateway do Brasil, empresa especializada em proteção e segurança para o varejo, os prejuízos do setor com furtos dessa espécie correspondem a até 3% de seu faturamento anual. "Se analisarmos os segmentos, os supermercados têm prejuízos de 2,5%. O setor de confecção chega a perder 3,5%", disse Sambugaro. No mundo, a tendência de perdas sobre o faturamento é de 1,7%.
Ainda segundo Sambugaro, os itens mais visados em lojas de rua ou de shoppings centers são calçados, jeans, celulares e máquinas digitais . "Com certeza, mais de 90% das lojas já foram alvo de furtos. Alguns comerciantes os descobrem e outros, não. Mas muitos já foram vítimas", disse.
Outro local que sofre com o "mão leve" é o supermercado. Nesse caso, os produtos mais visados são lâminas de barbear, cigarros, perfumes e produtos de beleza. É o que informou Gustavo Messiano Velehov, diretor da Check Point (empresa especializada em detectores como os que flagraram a advogada).
Roberto Mateus Ordine, vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), defende que o setor varejista compre equipamentos de segurança. "Existem vários. Há códigos de barra, câmeras e outros sistemas. As nossas lojas precisam desses dispositivos, que são usados em todo o mundo", disse.
Eficiência - Para o presidente da Sindicato das Empresas de Vigilância e Segurança do Estado de São Paulo (Sesvesp), José Adir Loiola, os sensores instalados nas portas das lojas são os equipamentos de segurança mais eficientes e baratos. "A câmera tem efeito psicológico e o segurança da loja nem sempre consegue flagrar o furto", afirmou.
Sobre a presença do segurança no interior do estabelecimento, Loiola explica que seu trabalho muitas vezes é delicado e ingrato. "Ele pode deter e não prender. Se a pessoa decidir ir embora, o máximo que ele pode fazer é retardar a saída até a chegada da polícia. Caso contrário, ele anota alguns dados do suposto 'mão leve' e da placa do carro", explicou.
Em países como Alemanha e Estados Unidos novas tecnologias já começam a ser testadas para evitar esse tipo de furto. Redes como o Wal-Mart já pensam em comercializar produtos com uma etiqueta de fábrica que guarda todas as informações sobre o produto, entre elas o ano de fabricação, preço e se ele já foi ou vendido. Mesmo se ainda estiver no interior da sacola de um cliente.