Com ela, comerciantes e consumidores têm a certeza de que os preços fixados nas gôndolas estão corretos, evitando reclamações de dores de cabeça. Além disso, é possível fazer
promoções relâmpagos com muito mais eficiência, sem depender de uma equipe de funcionários para fazer as alterações, já que estas são feitas automaticamente.
A etiqueta eletrônica permite alterar preços rapidamente nas promoções, reduzir despesas, baixar as possibilidades de alguém cometer erros, explicou Maurício Monteleone.
Do ponto de vista do consumidor, há algo mais irritante do que chegar ao caixa do supermercado e descobrir que o preço marcado na prateleira não confere com o que aparece na
registradora? Não tanto pelo preço em si, porque já se firmou entre os comerciantes o atendimento à lei, que determina que seja cobrado o menor preço fixado na prateleira, mas
pelo aborrecimento de apontar a discrepância e esperar que o erro seja sanado.
Do ponto de vista do comerciante, há algo mais irritante do que ter de admitir um erro inconveniente e vender pelo menor preço um produto que às vezes custou mais do que o marcado
na etiqueta da prateleira? Pior, talvez, seja atrasar a fila do caixa até que o problema seja sanado. Como comerciante, você tem de dar o desconto e ainda fica malvisto de certo
modo, como se fosse um espertalhão tentando passar a perna no cliente.
É para evitar esse tipo de problema que existe a etiqueta eletrônica de prateleira, mais conhecida pela sigla ESL, em inglês Electronic Shelf Label. A ESL sincroniza preços no
software de gestão, no caixa e na prateleira. No Brasil, existem dois sistemas à disposição dos comerciantes. O mais antigo deles, da Unisys, estreou faz um ano. O mais novo, da
Seal Sistemas, acabou de entrar no mercado na semana passada.
Um sistema eletrônico de etiquetas nada mais é do que um conjunto de pequenas telas LCD ,que de algum modo estão em comunicação, sem fios, com o sistema central e o caixa. O
comerciante muda o preço no escritório e imediatamente ele é alterado no caixa e na prateleira. Parece pouco, mas as vantagens são imensas.
"A cada semana, cada dia, um supermercado, por exemplo, faz várias mudanças de preços", diz Fernando Claro, vice-presidente da Seal. "São promoções, como frutas de época ou o dia
da feira, ou uma promoção relâmpago."
Segundos, não horas - Em uma loja com etiquetas de papel, imagine a operação de guerra que é trocar preços: deslocar rapidamente um exército de pessoas, trocando as etiquetas. Em
seguida, anunciar a promoção. E, logo depois, botar nos corredores o mesmo exército para desfazer tudo com novas etiquetas. Em algumas lojas do Pão de Açúcar, por exemplo, chega a
haver equipes de oito a dez pessoas só para esta tarefa. Isso pode consumir até 3 horas no caso de 500 itens, e com risco de erro. Com um sistema eletrônico, a mesma troca pode
ser feitas em 35 segundos. Segundos, não minutos nem horas.
"São as principais qualidades do sistema, rapidez e flexibilidade", afirma Maurício Monteleone, diretor de Comércio e Indústria da Unisys. Fazer promoções, assim, fica muito mais
fácil."
Foi o que pesou para a rede Coop quando, em abril do ano passado, tornou-se o pioneiro no Brasil no uso de etiquetas eletrônicas de prateleira. O sistema foi instalado em uma loja
em São Vicente, na Baixada Santista, pela Unisys. E funciona até hoje. Depois disso, a Unisys vendeu a solução também para o Pão de Açúcar, para a loja-conceito do Shopping
Iguatemi. E, no final de 2007, para uma rede pioneira no interior, a Jaú Serve, ao lado do Jaú Shopping.
Ao instalar o sistema, Francisco Ráo, gerente de Tecnologia da Informação da Coop, apontou que o mais importante é "reforçar ainda mais junto aos cooperados a credibilidade e
segurança de não haver diferenças entre o preço exposto e o pago, principalmente quando houver ofertas de produtos".
Tecnologia - A Seal, que entrou nesse mercado na semana passada, entra na concorrência com as armas da tecnologia. Diz Fernando Claro que seu sistema, da sueca Pricer, tem a
vantagem da transmissão bidirecional, que avisa ao computador se aquela etiqueta recebeu a informação e qual foi a informação. Se houve um erro – por interferência, por exemplo,
cuja possibilidade é pequena, mas possível –, os operadores sabem exatamente onde está o problema e podem saná-lo.
"Sem a capacidade bidirecional, corre-se o risco de se ter etiquetas fixadas nas gôndolas sem o preço correto ou com mensagens de erro, que não ajudam nem o consumidor, nem o
comerciante", diz Fernando.
De resto, tanto o sistema da Seal, quanto o da Unisys (da francesa SES) são muito parecidos. Estabelece-se uma rede de antenas no forro da loja, para cobrir todo o espaço de
vendas. As etiquetas são fixadas (não é possível arrancar com as mãos) nas prateleiras e duram muito – o produto em si continua funcionando por cerca de dez anos, mas a bateria
interna tem de ser trocada entre quatro anos (Seal) e sete anos (Unisys).
O visor é de cristal líquido e pode expor não só caracteres e números, como desenhos gráficos. No caso do sistema Pricer, vendido pela Seal, existem 32 páginas de dados. Algumas
delas podem ser escondidas para uso interno: quantidade em estoque, freqüência de reposição, verificação do número de faces da gôndola com aquele produto.
Um sistema, o da Seal, utiliza raios infravermelhos com freqüência de 1,2 MHz. Não precisa de visada direta: "Quando a antena manda a informação, ela pode refletir no chão, nas
paredes, nas gôndolas, mas acaba chegando lá". No caso do sistema da Unisys, a tecnologia é de freqüência de rádio, de 37 KHz, que cumpre a mesma finalidade. A atualização, em
qualquer caso, é muito rápida. No sistema Pricer, da Seal, a velocidade de atualização chega a 300 mil etiquetas por hora. No SES, da Unisys, pode-se atualizar 50 mil etiquetas
entre 40 minutos e uma hora.
Custo e ganho - Uma instalação dessas pode custar de US$ 200 mil a US$ 400 mil para loja de porte médio a grande. Isso inclui tudo, sistemas, softwares, antenas e a instalação do
sistema na loja. Cada etiqueta sai em média por R$ 18. O retorno do investimento se dá entre 8 e 14 meses. Como dura por cerca de dez anos, há tempo suficiente para o lojista
ganhar com a solução.
As vantagens são muitas. Tanto Fernando Claro, da Seal, quanto Maurício Monteleone, da Unisys, enumeram algumas delas: poder alterar preços rapidamente nas promoções; poder
alterar preços de produtos de baixo giro (para os quais, cada diferença pode ser grande); reduzir despesas; baixar as possibilidades de erros; e aumentar a receita. Mas o melhor
de tudo é a satisfação do cliente: se ele gosta da loja e confia no comerciante, ele quase sempre acaba retornando.
