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Sem fazer muito alarde e, portanto, abrindo caminho para uma acalorada polêmica, a Holanda está adotando a verificação biométrica de identidade em vários setores públicos e privados do país.
A rede varejista Albert Heijn BV, uma das maiores da Holanda, implementou a verificação de digitais como método de pagamento nos caixas. A maior vantagem do sistema tanto para a empresa como para os consumidores, é a rapidez. A leitura eletrônica da impressão digital é muito mais veloz que os meios convencionais de pagamento, como dinheiro, cheque ou cartões. Além disso, a leitura de digitais reduz a fraude por furto de cartões.
O programa
A Albert Heijn lançou um programa piloto em suas maiores lojas, e se os resultados forem tão bons quanto o esperado, a rede deve expandir o uso da tecnologia para todas as lojas no país.
Em maio deste ano, o Aeroporto Internacional de Amsterdam anunciou testes com leitura de impressões digitais e leitura de retina para identificação em vôos entre a Holanda e os Estados Unidos. Como as impressões digitais, a íris também é única para cada pessoa.
Os passageiros que usam sistema devem primeiro cadastrar suas impressões de dedos e íris em um banco de dados. A tecnologia está sendo testada na alfândega do aeroporto, em passageiros que chegam de viagem. O motivo oficial para a adoção da tecnologia é reduzir as filas no desembarque de vôos vindos dos EUA. Mas o motivo real é obviamente aumentar a vigilância e impedir a entrada de terroristas e outros criminosos no país. A verificação biométrica é considerada uma maneira mais confiável do que a mera checagem de passaportes na hora de verificar a identidade de uma pessoa.
O que ocorre hoje na Holanda é similar ao processo de adoção dos cartões de crédito nos EUA nas décadas de 50 e 60. Os cartões foram lançados como uma forma de cobrança mais prática e cômoda. Na época do lançamento, poucos se preocupavam com a questão da segurança e também a proteção de dados privados. O foco era a conveniência e a possibilidade de ampliar as vendas.
Décadas depois, com o uso de cartões magnéticos totalmente integrados ao cotidiano das pessoas nos EUA, surgiram preocupações com a proteção de dados pessoais. Em tempos recentes, foram dados golpes espetaculares, que resultaram no furto de milhões de dados de cartões.
O hacker Albert Gonzalez, preso há pouco tempo, usava uma técnica chamada "wardriving" para furtar milhares de números de cartões e suas senhas.
A Holanda espera evitar problemas similares com o uso de sistemas biométricos. Como a maioria dos países europeus, a Holanda tem severas leis de proteção à privacidade de seus cidadãos. Os dados biométricos de uma pessoa são qualificados como informações privadas, sujeitas à proteção prevista pelo Data Protection Act da União Européia.
Apesar disso, cresce na Europa (e EUA) o temor dos crimes cibernéticos para furtar esses tipos de dados. Vários grupos de defesa dos consumidores questionam se as medidas de proteção aos dados são realmente eficientes, e até onde pode ir a interferência do poder público.
Fonte: Dcomércio
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